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quinta-feira, 28 de abril de 2011

RELEMBRANDO OS AMIGOS - A RECRUTA


O Serviço Militar, o 25 de Abril, as Telecomunicações e claro…o Radioamadorismo
Quero hoje partilhar convosco alguns episódios curiosos, passados durante a minha permanência ao Serviço do Exército Português, no período dos anos 72 a finais de 74.

As histórias são verdadeiras e alguns dos nomes fictícios, para não chocar ou ferir susceptibilidades.
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Capitulo I
A Partida para a Recruta

Estávamos a 8 de Abril de 1972, tinha chegado a altura de dar o meu contributo e prestar serviço Militar obrigatório no Exército Português, assim... apresentei-me em Beja no RI3 (Regimento de Infantaria 3) para dar inicio á minha Recruta, ali bem no coração “quente” do Alentejo.
Tinha em meu poder uma “guia de marcha” com destino a Beja, embarquei num comboio especial, totalmente cheio de “malta” da minha idade, que tinham obrigatoriamente de servir o Exército Português durante um período de tempo mínimo de 2 anos, com a agravante de na maioria dos casos, serem deslocados para as diversas Ex-Colónias Portuguesas de Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné.
Muitos deles, infelizmente por lá ficavam ( morriam em combate ) e não mais voltavam á sua Terra de origem, motivo pelo qual na maioria dos casos, quando ingressávamos na Tropa e nos despedíamos da Família, não sabíamos se nos voltaríamos a ver .!!!!
Era uma situação complicada, cruel, violenta, para a “malta” daqueles tempos, até porque naquela época não tinham a experiência de vida que felizmente a juventude actual desfruta.
Muitos, nunca tinham saído de casa dos Pais, nem da Terra que os vira nascer, viviam na Província, tratavam do gado, cultivavam o campo, alguns nunca tinham ido á Escola, não sabiam ler nem escrever….eram completamente analfabetos, dos pés á cabeça.!!!!
Motivo pelo qual, muita dessa Juventude era tentada a fugir para França, na esperança de não ter de lutar por uma causa… que parecia cada vez mais…perdida.!!!!
Passada uma boa hora e meia da hora prevista, lá partimos em direcção a Beja, com a “malta” toda eufórica uns aos gritos, (para não chorar…) outros mais comedidos ( que era o meu caso…) e outros indiferentes.
Durante a viagem que durou apenas 9 horas, (qual TGV… qual Inter-Cidades.!!!) e depois de toda a “malta” estar mais calma, começavam-se já a fazer sentir as saudades da Família, da Terra, dos Pais, dos Irmãos e nalguns casos também das Mulheres e dos Filhos.
Dentro das nossas cabeças e durante o tempo de viagem, foram-se soltando as preocupações, os sentimentos, as responsabilidades, os medos, enfim….um sem numero de coisas que nos iam na alma e que serviam para reflectir-mos um pouco daquilo, que dali para a frente seria o nosso futuro, a nossa nova casa, a nossa Vida…. “A TROPA”.
Por volta das 20 horas….finalmente chegámos a BEJA….quente, escaldante, sufocante, moderna, terrivelmente calma e Bonita.
Fomos transportados por autocarros do Regimento de Infantaria 3 para o Quartel, que ficava a cerca de 2 Km do centro da Cidade.
Como já não eram horas decentes, deram-nos de comer alguma coisa no refeitório, indicaram-nos onde iríamos pernoitar e fomos avisados pelo Sargento de Dia de serviço das regras que teríamos de começar a cumprir a partir daquele momento.
No dia seguinte e após as boas vindas, dadas pelo 2º. Comandante da Unidade (…que na altura era o
Tenente Coronel Coelho de Lima – Filho do dono Empresa de Confecções Nortenha COELIMA…já extinta, creio…), fomos encaminhados para as respectivas Companhias e aí foram-nos oferecidas roupas (novinhas a estrear) para começar-mos a usar, a qual nos iria acompanhar durante todo o período que estivesse-mos ao serviço do Exercito Português.
Se hipoteticamente, danificássemos ou deixássemos roubar, alguma peça de roupa que nos tinham atribuído, teríamos de a repor ou então pagar da nossa algibeira, a importância respectiva.
Havia pois, de estar alerta e de olhos bem abertos!!!
Tudo comigo ia correndo dentro da normalidade, até porque eu ia instruído no sentido de ser o mais discreto possível, bem comportado, obediente, educado e acima de tudo tinham-me ensinado uma regra que tentei sempre cumprir á risca: – “na tropa… nunca te ofereças como voluntário… nem para comer…”.
Logo de manhã tínhamos a alvorada, a formatura, o pequeno almoço, a ginástica, a instrução militar.
De tarde havia instrução militar, operação e armamento.
Entretanto, tínhamos intervalados ao longo da semana os serviços (fascinas)diurnos e nocturnos.
Como podem calcular, era uma bela vida …tranquila…divertida, que para muitos dos jovens não passava de um massacre psicológico e uma pré-preparação para o Inferno que os esperava.

Capitulo II
Corte de Fim de Semana


Uma Quarta feira, na formatura do almoço, estava de Oficial de Dia á Unidade, um Senhor Aspirante Miliciano Vítor Alhinho (na época Jogador do S.L.Benfica) que ao passar revista á parada, parou junto de mim, retirou uma carteira de fósforos da algibeira do blusão, raspando-a na minha cara e disse-me com ar arrogante e irritado: “olha lá pá…não tiveste tempo de fazer a barba de manhã.???...se me apareces cá…na formatura da tarde com a barba assim…ficas de fim de semana no quartel e não vais a casa…”
Aquela afirmação, caiu-me que nem uma bomba dentro de mim.!!!!
Tentei então explicar-lhe, com os devidos “saramalécos” que se usavam na tropa, que tinha a barba muito cerrada mas que tinha feito a barba de manhã, só que fazia-a com máquina de barbear eléctrica, pelo que não se conseguia deste modo, uma barba perfeitamente escanhoada.
A resposta foi crua e simplesmente esta: “ sim…sim…não me apareças cá logo ás 2 da tarde com a barba feita como deve de ser… e vais ver o que te acontece.!!!!”
É evidente… que a minha preocupação mal saí da formatura, foi pedir ao um colega meu da Companhia, uma “gillett” e fazer a barba novamente, desta vez bem escanhoada, pois corria o risco de ficar de fim de semana cortado e vir-me privado de ir a casa a Lisboa.
Após o almoço, lá fui para a formatura da tarde, e qual não foi o meu espanto, quando vejo o Senhor Aspirante Miliciano Vítor Alhinho, vir direito a mim, para verificar se eu tinha feito de novo a barba.
Mirou-me calmamente dos pés á cabeça, dizendo: “…estás a ver…assim já evitas-te ficar de castigo este fim de semana…que te fique de emenda…”.
Fiquei tranquilo e descansado com aquela afirmação, e prossegui a minha vida normalmente durante o resto da semana.
Eis que….é chegado o sábado (11 horas da manhã), dia de recebermos os passaportes de fim de semana, que eram entregues nas respectivas Companhias da Unidade, pelos Sargentos de dia.
Começaram então a chamada: “ 418…ouviu-se de imediato…pronto e entrega do respectivo passaporte com saída da formatura e entrada no autocarro que nos conduziria até Lisboa.!!!. depois 419….pronto, 420…pronto, até que saltaram o 428 e passaram para o 429 e assim sucessivamente até ao 500.Fiquei calmamente á espera que chamassem o meu numero que era o 428, mas nada.!!!!
Chamei á atenção do Sargento de dia de serviço, na esperança que ele se tivesse esquecido de chamar o meu numero, sendo-me informado então que o meu numero não constava nas emissões dos passaportes da Companhia.
Fiquei… como devem calcular, para morrer de raiva, mas…calmamente pedi para me verem qual era o motivo de não me emitirem o passaporte.
Após ter aguardado calmamente, já com todos os meus colegas dentro dos autocarros e partido para os diversos locais de Norte a Sul do País, foi-me comunicado que me tinham cortado o passaporte de fim de semana, pelo Oficial de Dia Aspirante Miliciano Vítor Alhinho.
Como se isso não bastasse… estava na escala de fascina ao refeitório, no Domingo durante todo o dia.!!!!Foi aqui… que senti a minha primeira “grande revolta”, não… por não me terem deixado ir de fim de semana, mas sim pela forma cruel como o assunto foi tratado, “…estás a ver…assim já evitas-te ficar de castigo este fim de semana…que te fique de emenda…”.
E ficou….acreditem, dai para cá nunca mais pude ouvir falar do nome “Alhinho”, pese embora continue a ser simpatizante do meu Glorioso S.L.Benfica.

Capitulo III
Tempo de laser na Recruta

Certo dia, na formatura da manhã, ouviu-se na aparelhagem sonora da Parada, uma informação que alertava para os “mancebos” das diversas Companhias, que se tivessem jeito para desenhar ou pintar, dessem um passo em frente.
Ora como eu tinha sido instruído no sentido de: “na tropa… nunca te ofereças como voluntário… nem para comer…”, fiquei hesitante…confundido, baralhado, sem saber o que fazer…pois tinha de decidir dali a alguns segundos.!!!
Sem saber porquê….nem porque não…dei um passo em frente.!!!!
Pensei então: “seja o que Deus quizer….”
Dei uma espreitadela pelo canto do olho, e reparei, que de todas as Companhias apenas cinco colegas tinham dado um passo em frente, comigo incluído.
Saímos todos da formatura e fomos então repescados pelo Oficial de Dia á Unidade, levados para o edifício do Comando, colocados numa Sala de espera, onde alguns minutos depois, um Capitão nos veio explicar qual o propósito daquela chamada, que era a seguinte:
A Unidade precisava de construir cerca de 50 placas em alumínio, com 40x30x30 cm, em forma de V invertido, onde seriam desenhadas e pintadas algumas figuras que constavam no livro de ginástica dos instrutores.
Estas eram destinadas a serem colocadas pelos Oficias responsáveis pela Educação Física, nos diversos pontos, onde a “malta” pararia e teria de executar os exercícios mencionados nas respectivas placas, sobre os olhares atentos dos responsáveis.
Para tal, o Capitão iria fornecer papel, lápis e borrachas e todos, bem como algumas figuras constantes do livro da ginástica, com vista a cada um de nós desenhar livremente as imagens respectivas nas folhas que nos foram fornecidas.
Não havia limite de tempo, tínhamos toda a manhã para o fazer.!!!
Bom….achei a ideia “porreira”…pois tinha-me livrado da instrução debaixo de um calor abrasador de uns bons 37º C que era a temperatura média em Beja naquela altura do ano.
Após umas boas 2 horas dei por terminada a minha tarefa, para grande espanto dos meus colegas e do Oficial ali presente.
Já concluiu os desenhos, perguntou-me.???
Após a minha resposta afirmativa, disse-me: “pode entregar-me então e pode aguardar aqui mesmo na sala que os outros colegas seus acabem os respectivos trabalhos…”
Fiquei calmamente, a aguardar que os outros acabassem as provas, sem contudo perguntar a mim mesmo, como é que eu me tinha metido naquela alhada!!!
Quando todos tinham já terminado as suas provas, preenchemos um formulário, com a nossa identificação, Companhia, idade, profissão, etc…etc. tendo-nos sido dadas instruções, para que aguardasse-mos o resultado que seria dado durante a parada, após o almoço.
Fiquei angustiado e nervoso, pois não sabia o que é que aquilo iria dar, e começava-me a lembrar a cada momento da frase: “na tropa… nunca te ofereças como voluntário… nem para comer…”.
A hora de almoço custou a passar, sem que contudo durante este período alguns colegas meus da Companhia me interrogassem sobre a minha aventura durante a manhã.
Lá fomos para a formatura das 14 horas…, tremiam-me as pernas como “varetas” de chapéu de chuva em dia de temporal.
Após algum nervosismo, e após efectuadas todas as chamadas nas respectivas Companhias, para verificar se não se tinha perdido ninguém durante a hora de almoço, ouviu-se finalmente na aparelhagem sonora da Parada, a informação pela qual eu tanto esperava:
“…atenção…atenção…pedem-se aos soldados números 000 Carlos Alberto da 1ª. Companhia, e Soldado 428 Francisco Gonçalves da 2ª. Companhia, que após o destroçar, se dirijam ao Comando desta Unidade, pois foram apurados nas provas de desenho e pintura desta manhã, para execução do trabalho já vosso conhecido…”
As pernas deixaram de tremer…fiquei mais calmo…confiante e lá me dirigi juntamente com o outro meu Colega, até ao edifício do Comando, na espectativa de receber as instruções sobre aquele acontecimento histórico da maior relevância (…onde é que eu já ouvi…isto…oh CT1FBF-João Costa…) na minha Vida Militar.
Fomos recebidos então pelo Oficial de Dia á Unidade e pelo Comandante da mesma, tendo-nos sido comunicado os motivos que levaram os responsáveis, a termos sido escolhidos para efectuar aquele serviço, mas… com grande surpresa nossa, ficámos a saber que a partir daquele dia, não faríamos mais serviços á Unidade, nem instrução.
A partir dali, foram dois meses de descanso e lazer, contrariamente aos nossos colegas que infelizmente tinham de suportar as altas temperaturas e as longas caminhadas ao longo dos dias escaldantes do Alentejo em tempo de Verão.
Valeu a pena…e afinal, aquela indicação que me tinham dado que: “na tropa… nunca te ofereças como voluntário… nem para comer…”, afinal não era verdade.!!!!!
Como consequência deste feito, fiquei classificado em 5º. lugar na recruta.
Como nas minhas indicações preferenciais faziam parte, a minha aptidão pelas telecomunicações,uma vez
que já nessa altura era Radioamador com indicativo de CT1DL, foi-me dado a escolher, se queria ir para o Curso de Radiomontador em Paço de Arcos, ou outro local nos arredores de Lisboa, uma vez que habitava nos Olivais Sul em Lisboa.
Bingo!!!…era mesmo aquilo que eu queria…ir para Paço de Arcos, para o Curso de Rádio.!!!!
Naquela altura, já tinha apanhado a “terrível” doença que ainda hoje... não consegui curar, por mais remédios e antibióticos que tenha tomado, sem contudo ter obtido qualquer resultado prático… era o “Radioamadorismobacilócocus”.... bactéria altamente contagiante, perigosa e demolidora.
Infelizmente vim a saber, que muitos dos meus Colegas da Recruta no RI.3 em Beja, foram mobilizados directamente para a Guiné e Angola, locais onde o Exército Português estava abraços com a Guerrilha que se fazia intensificar enormemente, nestas locais das Ex-Províncias Ultramarinas de Portugal.
Tive conhecimento, quando já estava em Paço de Arcos, que o Cabo Miliciano da minha Companhia que nos dava instrução de Ginástica ( Cabo Miliciano Bica, natural de Beja), tinha acabado de falecer, quinze dias após ter chegado a Bissau, na Guiné.
Era a Guerra… que estava a aumentar, logo tínhamos cada vez mais os nossos corações em sobressalto, havia de fazer tudo para evitar sermos mobilizados, o “estudar era uma arma” portanto, tive de a usar para não morrer.!!!!
Vamos para Paço de Arcos….em frente….marche.!!!!!!


Capitulo IV
As minhas Aventuras na EMEL - Escola Militar de Electromecânica
Paço de Arcos

Cheguei a Paço de Arcos em meados de Julho, já com a Recruta feita e a cheirar a “maçarico” novo, com fardinha de Feijão Verde.
Fiquei na 1ª. Companhia de Instrução, no local a que na tropa se designava o Hotel de Paço da Arcos.
Isto porque, as condições que tínhamos naquela Escola, eram fora do normal para o Exército daquele tempo, em que Portugal estava abraços com uma Guerra Colonial.
Tínhamos uma qualidade de alimentação especial, as refeições eram servidas á mesa em travessas, por funcionários do refeitório, com camisa branca e calça preta, tínhamos salas de estudo pós laboral, entrávamos e saímos á Civil, tínhamos um horário das 9 da manhã ás 17 horas, com almoço das 12 ás 14 horas, enfim….”gente fina, era outra coisa!!!”
Aquilo agradava-me de certo modo, estava perto de casa, quase dentro de Lisboa, tinha ali do outro lado da Marginal a Praia junto ao Forte da Marinha, e até tinha ali bem perto de mim, a casa de um Colega Radioamador (infelizmente já falecido também) que era o CT1AN-Nascimento.
Um dia, ao conversar com um colega da minha Companhia, o mesmo manifestou-me a grande dificuldade que estava a ter em entender a matéria que estávamos a dar, uma vez que tinha tirado um Curso de Rádio e Electrónica, numa daquelas Escolas em que a matéria era dada por correspondência.
Logo não tinha bases muito sólidas sobre a matéria, nomeadamente sobre as classes de amplificação das válvulas, assim como entender os esquemas teóricos que vinham nos manuais, entre outras coisas.
Disponibilizei-me logo a ajudá-lo, dentro da medida do possível, pois como durante a semana não ia todos os dias a casa, poderíamos combinar umas horas depois do jantar e em vez de irmos para o café, juntávamo-nos lá num sitio sossegadinhos e tentaria calmamente explicar-lhe as suas duvidas.
Assim aconteceu….começámos por nos juntar-mos lá no quartel numa sala de convívio, só que no dia seguinte já haviam mais dois Colegas que tinham pedido para se juntarem a nós.
Uma semana depois, tinha mais uns quantos que também estavam misturados no grupo, totalizando já uns 15 alunos.
Aquilo rapidamente passou de boca em boca, até chegar aos ouvidos dum jovem Capitão (Parafuso) Miliciano da Força Aérea, que por acaso nos dava aulas de Transmissões Rádio e Antenas.
No dia seguinte, tivemos aula com esse Capitão que me quis conhecer, tendo-me feito em particular, uma série de perguntas, explicando-lhe então que era Radioamador, daí a minha facilidade em entender toda aquela matéria.
O Capitão disse-me, que ia tentar junto do Comando da Unidade, pedir autorização no sentido de nos ser facultada uma sala, para podermos dar aquelas aulas extras da matéria, destinada aos Colegas que sentissem necessidade e que durante o decorrer daquele dia, eu seria informado se tinha ou não sido autorizado.
Por volta das 17 horas, fui informado pelo próprio Capitão, que a autorização Superior tinha sido concedida e que a partir daquela data não teríamos de andar a juntarmo-nos na sala de convívio.
Comecei então, uma nova etapa da minha Vida Militar….ter aulas de dia… e dar aulas á noite.!!!!
Passados alguns dias, tinha já uma plateia de Colegas meus que rondavam os 30 alunos.
Tive ocasião de lhes explicar e faze-los entender a lerem os esquemas teóricos, a desenhar um esquema de blocos, a calcular uma antena dipolo, a entenderem os efeitos da propagação em Onda Curta, VHF e UHF, as teorias sobre os diversos tipos de emissão, AM-FM-BLU (Banda Lateral Única)…etc…etc… e claro falávamos imenso sobre o Radioamadorismo….eu estava como peixe na água.!!!!
Foi para mim muito gratificante, chegar ao fim do Curso e ter verificado que daqueles 30 Colegas meus que inicialmente estavam em apuros, todos eles superaram os medos e as duvidas que tinham, tendo alguns deles obtidos resultados finais, surpreendentes.!!!
Só por isto…achei que valeu a pena ter prescindido de ir a casa durante a semana, de ter ido ver as “xavalecas” ao Jardim de Paço de Arcos ao fim da tarde, ter ido visitar mais vezes o CT1AN, enfim…valeu mesmo a pena….encheu-me o EGO.!!!!
Bom….mas o mais engraçado aconteceu, logo dois dias depois desta aventura.
Todos os alunos da Escola, tinham uma escala de serviço que os nomeavam um dia por semana, a fazerem uma noite de reforço á Caserna ou á Porta de Armas.
Comecei a estranhar, que o meu Numero não aparecia na minha Companhia, escalado para fazer qualquer tipo de serviço, o que me levou a ir á Secretaria perguntar a um Colega que lá estava “impedido” que me explicasse tal facto.
Para grande espanto meu, foi-me comunicado que por acordo entre a Companhia e as pessoas intervenientes, os meus serviços eram feitos pelos Colegas a quem eu estava a dar as aulas suplementares.
Resultado….nunca mais fiz Serviços, durante todo o tempo que estive na EMEL, pois a partir daí, nunca mais me preocupei com tal coisa….os meus Colegas Alunos tratavam do assunto.!!!!

Elaborado por:
Francisco Gonçalves
CT1DL
Abril 2011



5 comentários:

José Luís Proença - CT1GZB - disse...

Muito bom, parabéns e continua a brindar-nos com texto tão bem escrito.
73 de José Luís, operador do posto emissor, CT1GZB.

Paulo Mendes disse...

Gostei de ler o texto, por vezes vale a pena ser voluntário.

Também passei pela EMEL em 1994.

73´s

CT2HQT

ARLA disse...

Meu Caro Francisco Gonçalves, CT1DL.

Continuas imparavel na excelente qualidade dos teus escritos. Só queria fazer uma pequena achega, visto que eu também efectuei a minha recruta de infantaria em Beja, só que nessa altura tinha a designação de Regimento de Infantaria de Beja (RIBE). Pois, o actual Regimento de Infantaria Nº 3 tem como antepassado mais recente o Regimento de Infantaria de Beja (RIBE) que, em 30 de Junho de 1993, recebeu a designação numérica de "3" por referência ao histórico Regimento com o mesmo número.

Continua, pois como já o escrevie várias vezes estarei na primeira fila aquando do lançamento do teu livro, para que este seja por ti autografado.

Um Forte e Sentido Abraço,

João Costa, CT1FBF

Paulo Calvo disse...

Muito porreiro pá!
Estou a gostar de ler este blog!

73

Ct1idw, Paulo Calvo

CB Barbosa disse...

Simplesmente excelente. Estou deliciado, também estive no RI3. Parabéns.
CT1CEM Barbosa.