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domingo, 29 de novembro de 2009

RELEMBRANDO OS AMIGOS - CT1VC

CT1VC
Rui Sá Nogueira

O episódio que vos conto hoje, passou-se aproximadamente á uns 37 anos, (morava nessas altura nos Olivais Sul), estando ainda na minha fase de iniciação ao Radioamadorismo.
A minha intenção ao contar-vos este episódio é apenas e só, sensibilizar os Radioamadores da “Nova Geração” para este tipo de situações que podem ocorrer a qualquer um de vós, mas que demonstra bem o Civismo e a compostura dos Radioamadores dessa Época.

A coisa passou-se mais ou menos assim:
- Numa noite quente de Verão, estava em QSO com um Amador aqui da zona de Lisboa, na banda dos 2 metros, que era CT1OB-Hilmar Magro, na altura morando em Pirescoxe-Santa Iria de Azóia, meu Amigo e antigo Colega de trabalho, quando ao passar-lhe a palavra, deparei-me com uma coisa que nunca me tinha acontecido.
Tinha um ruído fortíssimo na recepção.
Atribui logo esse ruído, a alguma avaria no meu sistema de recepção ou até mesmo a qualquer anomalia do meu correspondente.
Aguardei para ver se o ruído desaparecia, mas…nada.
O ruído fortíssimo continuava, mais parecendo uma portadora propositadamente colocada na mesma frequência do CT1OB, o que vim a constatar que não.
A coisa era muito pior ainda…a interferência mantinha-se em toda a banda dos 2 metros, dos 144 até aos 146 MHz .
Era um sólido 5/9 + 60 dB….como se diz em gíria…ponteiro a fundo.!!!
Acabado o QSO, devido ao facto de não escutar ninguém em toda a banda dos 2 metros motivado pelo ruído intenso que tinha, desliguei todos os equipamentos e fui descansar.
No dia seguinte, como eu só entrava no trabalho ás 15 horas, durante a manhã fui ligar de novo a “tralha” toda dos 144 MHz para ver como estava a coisa.!!!
E ….para grande espanto meu, tudo estava a funcionar a 100%, inclusivé, escutei um QSO entre dois amadores aqui dos arredores de Lisboa em perfeitas condições, sem ruído, sem interferências, umas emissões limpinhas e ausentes de qualquer ruído.
Fiquei logo a pensar, que havia ali “bruxedo” .!!!
Então na noite anterior, o ruído era constante em toda a banda dos 2 metros, nem sequer me deixava escutar estações que estavam em linha de vista com a minha, e agora no dia a seguir, estava tudo bem, sem ruído, sem interferências,…isto era de desconfiar.!!!
Á boa maneira do “Zé Purtuga”…comecei logo a imaginar, avaria do conversor de 144 MHz, avaria do receptor, avaria da antena, avaria da fonte de alimentação, cabo coaxial defeituoso, só me faltou desconfiar do “autoclismo” lá de casa….o resto, tudo me veio á ideia.

Chegada a hora de ir para o trabalho, a primeira coisa que fiz quando lá cheguei, foi ir tem com o CT1OB – Hilmar e falámos dos acontecimentos da noite anterior.
Trocámos impressões, mas não chegámos a conclusão nenhuma, visto o sistema estar a funcionar outra vez a 100%, o que nos levou a combinar para a noite daquele dia, uma nova experiência para ver os resultados.
Andei todo o resto do dia a pensar, no que iria acontecer.!!!
Logo após, ter regressado a casa, o meu propósito foi logo ligar o sistema todo para ver se aquilo tudo estava a funcionar.
A banda estava limpa….sem ruídos, sem interferências, até escutei o CT1FM-Sérgio Marques (já falecido) aqui de Lisboa em QSO com outro Amador que não me recordo o seu Indicativo.
Tudo parecia estar a funcionar a 100% pensei eu.!!!
Parecia que o “bruxedo” tinha acabado.!!!
Bem…agora faltava só chamar o CT1OB conforme tínhamos combinado.
Então…lá foi feita a chamada pelo Hilmar o que de imediato me foi contestada, dando inicio a mais um QSO.
Tudo parecia estar na verdade a correr com normalidade, o sinal do CT1OB era fortíssimo, a modulação belíssima, enfim….a coisa não havia duvidas algumas, estava a funcionar com normalidade.
Entretanto um outro Amador tinha-se juntado a nós no QSO, era o CT1ZU-Melo também meu antigo Colega de Trabalho, que estava a emitir desde a Praça do Chile em Lisboa.
O sinal era bastante forte também, uma emissão explêndida, sem nada a assinalar.
Até que…!!! O inesperado aconteceu….estava a escutar o CT1ZU e…Tchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Tchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii….lá estava ele outra vez….estava tudo estragado de novo….Para os meus botões disse raios e coriscos, barafustei, gritei, deu-me vontade de esmurrar o receptor e o conversor de 144 MHz, mas….tive de me acalmar e tentar resolver aquele fenómeno que se estava a passar comigo.
Fiquei novamente, sem qualquer possibilidade de escutar alguma emissão em toda a banda dos 2 metros, o ruído estendia-se por toda a banda, forte, intenso e sem qualquer indicio de tentar desaparecer.
“Estou entregue aos bichos”, pensei eu.!!!
Mesmo sabendo que não iria escutar ninguém, e como a frequência do CT1ZU era muito pertinho da minha, tentei sair para o Ar e informá-los que estava com o mesmo problema e que não podia escutá-los devido aquela interferência que teimava em não desaparecer aquela hora.
Já não voltei a escutar mais ninguém durante toda a noite.
Entretanto, como eu me tinha ausentado e deixado de emitir, o CT1OB telefonou-me a perguntar o que se estava a passar, dando-lhe eu nota do acontecimento, o que o deixou altamente admirado.
A coisa, não havia duvidas, era muito esquisita, mas estava mesmo a acontecer.
Voltei a desligar tudo e novamente como na noite anterior fui-me deitar, sem que antes voltasse a tentar arranjar uma explicação para os acontecimentos, o que não consegui.
Dei voltas e mais voltas até adormecer, sempre a pensar naquela coisa esquisita que se estava a passar.
Novo dia….logo que acordei, lá fui de novo ligar o equipamento de 144 MHz e lá estava….tudo limpinho…sem ruído, sem interferência alguma, um sopro levezinho quase nulo, característico do AM, tudo estava normal.
Bem…tenho de ir á “bruxa”…isto é demais…umas vezes isto funciona, outras não …mas como é que eu devia de resolver isto, pensei.????
Quando cheguei ao trabalho, voltei de novo a trocar impressões com o CT1OB e também com CT1ZU que na noite anterior se tinha juntado a nós, para apreciar aquele fenómeno que se andava a passar.
As conclusões a que chegámos, não foram nenhumas…restava-nos deixar correr o tempo e ver se aquilo se resolveria por si próprio.!!!
Regressei a casa após o trabalho, mas muito sinceramente…não me apeteceu nada ligar os Rádios, com receio que de novo, voltasse a acontecer o mesmo problema com as interferências, o que me levou a fazer uma pausa e juntar-me á Família na sala, a ver Televisão, até porque o meu “Benfica” jogava mais uma Gloriosa jornada da Taça dos Campeões Europeus (estávamos na Época Áurea deste Clube, do Eusébio, do José Augusto, Torres, Coluna…etc…por volta dos anos 72/73).
Até que…”um milagre aconteceu….”.
Tocaram á porta…a minha Mãe deslocou-se até lá para a abrir, ouvi a minha Mãe a falar com alguém, seguido de um pedido…”Zé...chega aqui á porta, que está aqui um Senhor que quer falar contigo.!!!”
Pronto…já não posso ver a bola descansado, pensei.!!!
Desloquei-me até lá, deparando-me com um Senhor de meia idade, muito sorridente e simpático, que me estendeu a mão e se apresentou: - “olá….eu chamo-me Rui Sá Nogueira ,sou seu colega Radioamador e seu vizinho aqui do prédio ao lado, moro no 7º.andar e venho aqui pedir-lhe mil desculpas das interferências que lhe tenho estado a causar na banda dos 2 metros á uns dias a esta parte.!!!”
De imediato, mandei entrar o Sr.Rui que fazia questão em não incomodar áquelas horas, tanto mais que reparou que estávamos a ver o futebol na Televisão (só havia a RTP1 e RTP 2 na altura), coisa que ele não era grande adepto segundo me confessou.
Fiz questão que entrasse, o que o Sr. Rui acabou por ceder ao meu convite, deslocámo-nos até ao local onde tinha a minha modesta estação, que apenas era composta por um receptor musiqueiro Hornyphon, um conversor home made CT1KQ 144/10 MHz e um emissor de VHF com 1 válvula QQE03/20 no andar final, isto tudo em AM (Amplitude Modulada) construído pelo CT1OB-Hilmar Magro, o microfone era uma pastilha de Cristal da marca Mérula -Made in Italy, como antena tinha uma Yagi de 5 elementos de construção caseira, home made CT1DL.
Como podem ver, “…era uma Estação e peras….”
Então com mais calma, o meu vizinho Rui, apresentou-se como Radioamador, informando-me que o seu indicativo era CT1VC, o que me deixou bastante satisfeito de saber, que tinha ali ao meu lado um vizinho Radioamador que podia pedir ajuda, quando estivesse em dificuldade.
O Colega Rui CT1VC, trabalhava quase que exclusivamente em onda curta (HF), daí uma noite o ter escutado no meu velho receptor musiqueiro, em QSO com um colega do Brasil da zona de S.Paulo, na banda dos 80 metros em AM, escutando eu o colega do Brasil fortíssimo com um sinal que não podia medir, uma vez que o S-Meter do meu musiqueiro, era uma válvula olho mágico EM-80 (…alguém se lembra disto.???).
Naquela altura, não fazia a mínima ideia que o CT1VC, morava paredes meias comigo.
Já tinha visto a antena dipolo para 80-40 metros montada na traseira do prédio, que na realidade vim a constatar que o cabo de baixada ia mesmo direita á janela do Shack do Colega Rui.
Foi então que o Colega CT1VC, começou por contar a história daquele mistério que se andava a passar fazia uns dias, que me impossibilitava de a partir de uma determinada hora, manter QSO com qualquer colega na banda dos 2 metros.
Então a história era esta…
O CT1VC tinha acabado de construir, fazia uns dias atrás, um receptor que tinha sido publicado pelo CT1DT-Mário Portugal, num Boletim da REP-Rede dos Emissores Portugueses (tenho ainda em meu poder o Boletim da REP dessa altura, visto mais tarde eu também ter construído um receptor idêntico que me deu grande prazer construir), era um receptor regenerativo que trabalhava com uma válvula 6U8 como osciladora e tinha um amplificador de áudio composto com uma válvula 6AQ5.
E a coisa trabalhava muitíssimo bem em toda a banda dos 2 metros, incluindo a banda da aviação (naquele tempo ainda não andavam os Radioamadores a desviar aviões do Aeroporto de Lisboa através da Rádio…hi…hi…hi…), mas… tinha um grande problema: - é que estes circuitos receptores regenerativos, devido á concepção do próprio circuito, também emitem simultaneamente um sinal que embora fraco, pode causar algumas interferências nas redondezas.
Era isso mesmo, que o Colega Rui Sá Nogueira CT1VC se apercebeu, quando começou a ouvir-me dizer, que já estava com a tal interferência outra vez, logo após ele ter começado a escutar-me no regenerativo que tinha construído.
Vieram de seguida os pedidos de desculpas apresentados pelo CT1VC, “que não aceitei”, uma vez que, não havia qualquer intenção dele em me estar a prejudicar, nem sequer se ter apercebido do facto, não fosse eu referir que tinha a dita interferência, aos colegas com quem estava em QSO.
Logo consequentemente, nada havia a desculpar, pois estávamos todos inocentes.!!!!
O CT1VC, de seguida convidou-me e fez questão, que eu me deslocasse a sua casa, para poder apreciar o causador daquele “embróglio” todo, bem como ver mais uma estação de Amador a funcionar.
Claro que….aceitei de bom agrado, e lá fomos até ao Shack do CT1VC, que era ali mesmo no prédio ao lado.
Fui recebido pela sua Família, nomeadamente por sua Esposa, que nos acompanhou até ao local da sala, onde estava toda a estação maravilhosa do meu Vizinho Rui Sá Nogueira.
Era um quarto amplo e espaçoso, aliás igual a uma das divisões de minha casa, uma vez que as elas eram iguais.
Fiquei deslumbrado…espantado até, com a disposição e organização daquele Shack. !!!!
Tudo arrumadinho, alinhado, os equipamentos estavam esteticamente bem distribuídos, uma Maravilha.!!!
Mas os meus olhos pararam logo, num grande e vistoso Rack, que se situava junto á janela, onde estavam montados alguns módulos, que o Colega Rui Sá Nogueira me explicaria ser um emissor de onda curta dos 10 aos 80 metros em Amplitude Modulada.
Tinha sido totalmente construido por ele, feito com uma perfeição incrível, mais parecendo um equipamento de Broadcasting de Fábrica.
Aliás... vim a saber depois, que tinha sido aquele equipamento que eu tinha escutado algum tempo atrás, nos 80 metros com o Radioamador Brasileiro.
Era uma coisa digna de se ver, alias poderão os Colegas apreciar o mesmo, numa foto que acima vos mostro e que me foi oferecida na altura pelo Colega CT1VC.
O equipamento em questão é aquele que está nas costas do Colega Rui.
Mas a demonstração começou em primeiro lugar, com a apresentação do receptor Regenerativo de VHF, que o CT1VC tinha construído á uns dias atrás e que tinha sido o causador, de nós estarmos ali naquela altura em QSO de metro.
Lá veio então o “dito cujo” montado num magnifico chassis de alumínio, bem reluzente, onde estavam cuidadosamente dispostos todos os componentes, das valvulas 6U8 e 6AQ5, do dial de alumínio improvisado para servir de desmultiplicador do quadrante, tudo...tudo cuidadosamente bem feito e com uma perfeição impecável.
Aliás...deixem-me dizer-vos que a profissão do Colega Rui Sá Nogueira, era Desenhador Industrial, daí todo o rigor e perfeição das sua montagens.
O CT1VC lá ligou então o regenerativo de VHF e uma forte sopradeira invadiu os nossos ouvidos, tendo sido logo ajustado o potenciómetro da regeneração, de modo a que o sopro fosse mais suave e macio para os nossos ouvidos, aquela hora da noite.
Feita uma breve busca ao quadrante lá escutámos uma estação na banda dos 2 metros...era o CT1ZX de Moscavide, em QSO com o CT1XI ali dos Olivais Sul, bem perto de nós.
Uma recepção explêndida e clara, dado que ambas as estações estavam perto de nós.
Rodado o dial um pouco mais para baixo, lá estava o operador da Torre de Controlo do Aeroporto de Lisboa, a autorizar que o VARIG XXX, descolasse da pista 36, devendo virar para o corredor da Arruda...etc...etc...
O CT1VC estava maravilhado e eu também, com aquilo que estávamos a ouvir e da forma limpa e suave com que se escutávamos todas as transmissões.
Entusiasmei-me logo, para construir também uma “coisa daquelas” para ter lá no meu modesto shack.
O CT1VC teve então oportunidade de me mostrar um receptor de VHF que tinha feito parte do espólio de um Navio da Marinha Portuguesa, adquirindo-o num “Ervanário” (nome dado aos Ferro-Velhos que vendem sucatas de equipamentos adquiridos aos diversos ramos das Forças Armadas e que depois seguem para desmantelamento e consequente aproveitamento para as Fundições), receptor este que era de uma marca que não me ocorre o nome, sendo a sua referência um BC-Qualquer coisa.!!!!!
Era uma coisa imponente, parecia uma catedral, creio que cobria salvo erro, as bandas dos 70 MHz aos 470 MHz, já com o modo de FM.
Coisa pequena….deveria ter uns 60 cm de altura, por 50 cm de largo e de fundo deveria rondar os 70 cm., devendo pesar á volta dos 30 Kilos.!!!
Um autentico portátil…daquela época.
Tinha um comutador enorme… para mudar de banda, e um quadrante amovível com a respectiva escala da banda seleccionada.
A recepção era belíssima em FM, pois cobria também a Banda de FM Comercial da altura (apenas a Emissora Nacional e o Rádio Clube Português tinham emissões em FM Stéreo) permitindo-nos escutar FM embora em Mono, mas com uma qualidade explêndida.
O receptor, até tinha S-Meter, o que para aquela altura era inovador, atendendo a que era um rádio militar.
Tivemos tempo ainda de trocar mais umas impressões, sobre antenas de onda curta e de Yagis de 2 metros, cabos coaxiais, trap’s para antenas, pois eu tinha acabado de montar, uma antena W3DZZ que usava esse tipo de trap’s e que funcionava muitíssimo bem em todas as bandas de HF.
Sobre esta antena W3DZZ não resisto em compartilhar convosco, um episódio que aconteceu comigo, pouco tempo depois de ter montado a antena no telhado do prédio onde morava.
Estávamos em pleno Inverno, tarde chuvoso e ventosa de sábado, deitei mãos á obra e fui esticar o fio da antena, com os dois trap’s de construção “CT1LI” também conhecido como a antena LI-LI com trap’s.
A “dita cuja” foi então montada entre dois pilares de cimento que se situavam entre dois extremos do prédio que tinha a configuração de um “U”.
Começou a chover torrencialmente, levantou-se um vento forte que parecia uma tempestade, assim tentei despachar a coisa o mais rápido possível, para evitar de me molhar até aos ossos.
Atei atabalhoadamente as pontas do dipolo com os trap’s, enrosquei a ficha PL ao isolador central, deixei cair o cabo coaxial na direcção da janela do quarto onde tinha montada a estação de rádio, retirando-me em seguida escada abaixo até casa, sem que deixasse de sentir a agua a ensopar-me a roupa até ao tutano dos ossos.
Parecia um pintainho.!!!!
Chegado a casa, fui logo experimentar a antena, tendo os resultados sido fabulosos.
Nunca mais me ocorreu, que devido á chuva e ao vento forte, não tinha atado a antena em condições de segurança, daí que……no dia seguinte (Domingo) logo pela manhã, bateram-me á porta e entregaram-me um trap da antena, assim como uma conta de umas dezenas de escudos, para pagamento de um vidro da janela do vizinho do 2º.andar do prédio em frente, pois durante a noite anterior, o extremo do dipolo desatou-se e o trap da minha antena, entrou pela janela do vizinho, sem que para isso tivesse pedido licença a alguém, indo assentar calmamente em cima da cama do casal, que dormia profundamente.!!!
Radioamador é mesmo assim….as montagens são sempre provisórias, mas se funcionam, passam de provisórias a definitivas.!!!
Concordam comigo, ou não.???
Portanto, não sigam o meu exemplo.!!!
O Colega Rui foi-me presenteando, com explicações e demonstrações dos equipamentos que tinha ali na sua belíssima estação e que tinham sido, por ele construídos.
Entre eles estava um receptor de onda curta, que cobria dos 450 KHz aos 30 MHz em AM-CW e SSB, com S-Meter, um quadrante longitudinal enorme, com uma desmultiplicação poderosa, que me despertou muito a atenção, especialmente a belíssima recepção que o mesmo tinha, pois o CT1VC tinha-o ligado para eu apreciar a qualidade de recepção em Banda Lateral (USB-LSB), coisa que eu não tinha na minha modesta estação.
Estava embasbacado....os meus olhinhos quase que saltavam das orbitas, tal não era o meu espanto de estar a escutar emissões de SSB em tão boas condições.
Só vos quero lembrar que nessa altura, eu estava muito operativo como Radioescuta (era o CT0334) que recebia as emissões em SSB, com um oscilador construido por mim que trabalhava numa frequência que nunca cheguei a descobrir qual era, e que fazia uns batimentos fabulosos nas bandas de Amadores, permitindo-me assim escutar o SSB, embora com uma grande dificuldade em sintonizar as estações, mas que lá ia dando para perceber os indicativos e poder enviar o meu cartãozito de QSL via REP-Rede dos Emissores Portugueses.
Tempos muito difíceis...acreditem.!!!
Bom...eu devia ter feito um ar de espanto tão grande, que o Colega Rui CT1VC me disse assim: - “Oh...Gonçalves, olhe uma coisa, o Gonçalves vai levar este receptor para sua casa emprestado, pois eu nem sequer me estou a servir dele, uma vez que utilizo aquele ali em conjunto com o emissor de Onda curta, logo pode levá-lo por uma temporada e depois, quando voçê arranjar outro melhor, logo me trás de volta este….está bem ou não..???”
Apeteceu-me dizer sim...apeteceu-me dizer não...apeteceu-me dizer obrigado...apeteceu-me dizer não sei o quê...mas acabei por agradecer ao Colega Rui, mas não queria levar o receptor pois podia estragá-lo e depois não tinha forma de o retribuir dos danos causados.
Mas....após tanta insistência e pressão do CT1VC, acabei por aceitar a oferta de levar o receptor do CT1VC para minha casa por uma temporada.
Eu nem queria acreditar naquilo....estava a ser bom demais, parecia um sonho....mas era verdade mesmo, pois dali a algum tempo tive de carregar o receptor até a minha casa, verificando que aquilo “não era um sonho, mas sim um pesadelo”
É que sempre eram, uns bons 10 a 15 kilos...era obra.!!!!
As horas, tinham-se passado a correr, a conversa era como as cerejas, quanto mais se comiam, mais vontade tinhamos de comer, mas…. havia de terminar por ali, pois dali a algumas horas, era dia de trabalho, em especial para o Colega Rui Sá Nogueira, visto o meu horário de entrada ser ás 15 horas ás 22 horas, logo estava mais á vontade.
Contudo, tivemos de fazer as despedidas, com a promessa de voltarmos a encontrar-nos mais vezes e fazer-mos mais QSO’s de metro, pois ambos gostávamos de uma coisa comum: - “ a conversa…as construções e o Radioamadorismo….”.
E lá vim eu escada abaixo, com um receptor debaixo do braço, mas acima de tudo com uma certeza, tinha ganho a noite, tinha iniciado uma grande amizade com um GRANDE AMIGO.

O Colega Rui Sá Nogueira, faleceu este ano de 2009,
Paz á sua grande Alma de Amigo e Radioamador.!!!!


CT1DL
Francisco Gonçalves
2009

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